Enquadramento
O envelhecimento da população é um processo irrefutável que ocorre em todos os países e regiões do mundo. A Europa é uma das regiões onde um número significativo de países irá, num futuro próximo, enfrentar o fenómeno do envelhecimento da população. Dentro de 20 anos muitos países irão deparar-se com uma situação em que a percentagem mais elevada da população será a que se situa na faixa etária acima dos 65 anos e onde a média de idades estará muito próxima dos 50 anos. Esta situação levará a um aumento da percentagem de pessoas empregadas com mais de 50 anos de idade e implicará mudanças de fundo quer quanto a aspectos económicos, quer quanto a aspectos sociais. Um dos mais importantes será o da empregabilidade, para a qual hoje em dia é necessário um conjunto alargado de competências, bem como uma aprendizagem/formação contínua, aos quais acresce ainda a importância em saber lidar com ferramentas de trabalho baseadas em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) que entretanto foram surgindo com o objectivo de promover a eficiência no trabalho e diminuir o tempo despendido nas actividades comerciais.
A discriminação em função da idade esconde muitas das dificuldades que os cidadãos seniores activos enfrentam no mercado de trabalho. A exigência de novas competências e conhecimentos coloca-os numa posição de desvantagem uma vez que a formação que receberam no passado parece estar obsoleta. Os cidadãos seniores activos que detêm menos competências enfrentam barreiras adicionais no acesso ao emprego e a oportunidades de formação. Para fazer face a estas desvantagens é necessário dotar estes trabalhadores de novas competências em novas áreas, bem como melhorar os conhecimentos e as competências que já possuem.
Para manter os cidadãos seniores activos no mercado de trabalho é essencial dotá-los das competências de que necessitam, bem como dos conhecimentos sobre como as podem, continuadamente, actualizar. O desafio da aprendizagem ao longo da vida é tanto um valor cultural de extrema importância como uma necessidade da economia. Os trabalhadores mais novos têm, em média, mais anos de escola e acesso a uma maior oferta de cursos de formação do que os seus colegas mais velhos. Assim, acompanhar as mudanças derivadas da evolução tecnológica, poderá ser mais difícil para os cidadãos seniores activos. Como a Comissão Europeia realça (Comunicação de 23 de Outubro de 2006), “A aprendizagem dos adultos é vital para garantir a empregabilidade e mobilidade dos cidadãos europeus no mercado de trabalho actual.”
Actualmente, vivemos na denominada era da “sociedade de informação” com acesso diário à Internet e a partilha de informação através das novas tecnologias é cada vez mais comum. O uso das novas tecnologias e da Internet é uma das áreas onde se denotam as maiores diferenças entre os cidadãos seniores activos e os trabalhadores mais jovens. A inclusão daqueles na sociedade de informação é então o grande desafio.
Um dos activos mais importantes de uma empresa são os seus recursos humanos, uma vez que muitos dos outros podem ser facilmente obtidos, mesmo os de natureza tecnológica. Deste modo, é cada vez mais importante potenciar o acesso à formação em TIC e Internet aos cidadãos seniores activos. O sucesso da Estratégia de Lisboa (“a Europa deverá tornar-se até 2010 a economia do conhecimento mais competitiva e dinâmica do mundo, capaz de gerar um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos e maior coesão social”), depende do uso produtivo e efectivo das TIC (e conhecimento, competências e aptidões). Isto requer pessoas com boas bases académicas e altamente qualificadas que possam tirar o máximo proveito das vantagens das TIC em todos os sectores (e não apenas nas indústrias de tecnologia de ponta), utilizando as ferramentas baseadas nas TIC e as competências para o negócio electrónico (e-business). Não poderemos negar a importância da difusão das TIC para o emprego, produtividade e crescimento económico.
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